70. Ter trabalho é ter sucesso

Desde cedo que percebi que a minha “estabilidade” mais pessoal, passa por me sentir produtivo em várias actividades, independentemente da sua natureza.

Enquanto estudava no ISCTE, em 1998, ao mesmo tempo em que jogava andebol no Sporting e na seleção nacional, achei que tinha umas horas livres e inscrevi-me como comercial numa imobiliária de bairro sem horário nem muita exigência dos meus tempos. Durante grande parte da minha, se não toda, fui integrando várias actividades no meu dia-a-dia, experiência esta que me ajuda a viver os dias e o contexto laboral de hoje, num mundo com covid.19.

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Fui ver o que significa a palavra sucesso e descobri que a origem do latim é SUCCESSUS, “avanço, seguimento, resultado propício”, de SUCCEDERE, “vir depois, chegar perto de”,  formado por SUB-, no caso “depois, o seguinte”, + CEDERE, “ir, mover-se, deslocar-se”.

O sentido de “resultado favorável” começou a firmar-se no século XV. Gostei de ler também este artigo, mais voltado para a própria percepção de sucesso.

Há vários problemas com a palavra, todos eles decorrentes de uma miopia social e intangível que relaciona um qualquer feito – terminar uma tarefa, por exemplo, com o resultado que poderá ser qualificado por nós e pelos outros de: favorável/desfavorável, positivo/negativo, bom/mau, aceitável/inaceitável, etc, etc…

Os resultados podem ser eventualmente de excelência e não serem públicos ou até partilhados com uma equipa pequena.

Parece que só temos resultados bons quando estes são reconhecidos pelos outros de forma pública, o que tem impedido o próprio de sentir confortável e até orgulhoso da conclusão de mais uma tarefa. Ou até no processo ou no caminho até se chegar ao final da etapa, desvalorizando elementos prazerosos e que nos deram um retorno individual enorme ao nível da nossa satisfação e exigência para com essa actividade.

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A frustração individual que todos temos quando sentimos que não temos o reconhecimento que achamos que temos é também, normalmente, fruto da nossa experiência e da maior ou menor capacidade de nos auto-avaliarmos, mas fundamentalmente de nos caracterizarmos e de nos percebermos.

Este auto conhecimento é fundamental para nos podermos adaptar aos ambientes colaborativos diversos, diferentes, com culturas e experiências também elas diferentes, liderados por indivíduos diferentes que podem ter tido experiências também elas diferentes… ou seja muita complexidade para podermos trilhar o nosso caminho com alguma calma e estabilidade laboral. Não sei se esta frase poderá ser realidade, mas acredito que o futuro pertence às equipas e às empresas que acreditam no valor dos processos de negócio e são conscientes que eles só são levados a cabo porque existem equipas que são bem lideradas. Esta é uma permissa importante que utilizo quando falo com responsáveis de equipas grandes, em que a complexidade é grande, mas onde a confiança da organização nestas pessoas tem de ser proporcionalmente grande.

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O sucesso nas equipas, para mim, tem mais a ver com a qualidade das relações pessoais e com a arquitectura dos processos internos, do que propriamente com o volume de negócios, ou as quantidades vendidas de um produto ou serviço. No nosso pequeno país e mercado, as margens e as industrias estão bastante bem estudados nos seus modelos de negócio e só as pessoas são capazes de desenhar economias de escala e aprendizagem internas.

Quais os indicadores de sucesso com que normalmente traballham as vossas equipas?

Bom Sucesso/Trabalho,

Publicado por Ricardo A.

Business Performance and Sports Analytics

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