65. Como construir uma equipa responsável?

Dia 15.11.2021, lançamos um novo site na MBU. A MBU foi fundada pelo meu amigo Nelson Fernandes, em 2004. Um tempo depois, corria o ano de 2008 e tive a certeza de que a partir da minha saída do Andebol utilizaria sempre uma base de conhecimento humano e profissional na MBU, que conseguisse relacionar pessoas e profissionais de forma harmoniosa, transparente mas muito exigente em relação ao papel e às funções de cada um dos indivíduos nas equipas de trabalho.

Ao longo dos anos de desportista observei tantos atletas, pessoas e equipas, em quem me fixava e que admirava, embora mais facilmente retivesse movimentos e acções do que os próprios nomes dos intervenientes. Este treino constante permite hoje reconhecer facilmente padrões de comportamento em indivíduos e equipas capazes de estimular ou arrasar equipas que se querem de alta performance, no desporto ou nas empresas.

Afinal ninguém contrata para perder ou para despedir, mas a realidade mostra repetidamente que para se construir uma equipa responsável é necessário respeitar uma série de condicionantes e contextos que podem inutilizar o processo, desistir-se a meio, ou ainda mais grave conseguir juntar uma equipa bem forte, responsável e competitiva, mas que colapsa ao final de pouco tempo de investimento.

Se queremos investir em talento e pessoas é necessário aceitarmos as nossas debilidades enquanto humanos, para perceber que:

  • Individualmente somos únicos e complexos;
  • As equipas de elevada performance são compostas por indivíduos que ultrapassam a média de performance dos seus concorrentes directos;
  • A cultura de uma equipa transpira pela qualidade das equipas e pela informalidade dos relacionamentos entre os indivíduos.

Falhar na análise destas premissas pode resultar fatal na forma como as equipas estão a ser construídas hoje em dia. A influência e a política não são normalmente amigos da performance humana e da cultura informal dos grupos. Outro dos desafios da actualidade é a falta de consistência, formação interpessoal, trabalho temporário e precário, lideranças inexistentes, estratégia em vácuo, curto prazo da operação, fraca tesouraria e muitos outros.

Penso que existem poucos gestores com a consciência de que, em muitos casos reais, mais de 80% da sua estrutura de custos, são salários pagos e que do retorno deste investimento fundamental sairá o futuro da Empresa como um todo.

A análise de contexto e o investimento que as empresas fazem em pessoas, sem muitas vezes entender que as pessoas precisam de ser compreendidas e de compreender ao mesmo tempo o que se espera delas, têm representado alguns dos maiores desafios que tenho vivido na gestão de empresas.

A vossa experiência é importante para mim. Comente e partilhe!

Publicado por Ricardo A.

Business Performance and Sports Analytics

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